Entenda como o pé diabético pode levar a amputações

O diabetes é uma doença crônica que ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente ou quando o organismo não utiliza de forma adequada a insulina que produz. Essa é a substância que controla a taxa de açúcar no sangue, por isso, o efeito do diabetes não controlado é o aumento dessa taxa. Se essa condição perdura, prejudica gravemente o organismo, levando a uma série de alterações dermatológicas, neurológicas, ortopédicas e vasculares, incluindo o pé diabético. Vamos entender como isso acontece.



O que é pé diabético?

Denomina-se pé diabético qualquer alteração ou complicação aguda (recente) ou crônica (de longa data) nos pés que possam ser atribuídas ao diabetes descompensado. Calos, rachaduras, espessamento das unhas, micoses, deformidades ósseas, feridas de difícil cicatrização, infecções e, nos casos graves, até a gangrena são sinais do problema.


Mas por que isso acontece? Os pés têm a função de sustentar e distribuir todo o peso do corpo. Em condições normais, ou seja, quando todas as suas estruturas estão íntegras (pele, ossos, músculos, articulações, nervos, artérias, veias, capilares e vasos linfáticos), eles suportam essa carga sem lesões. Quando há diabetes descompensando, as estruturas dos pés não conseguem se manter em boas condições por conta de alterações neuro-vasculares e são elas que levam ao pé diabético.


Na maioria dos casos, a pessoa apresenta algum grau de alteração neurológica (formigamentos, câimbras, diminuição da sensibilidade) ou alteração circulatória (diminuições da pulsação arterial e da temperatura ou palidez nos pés). Pode, ainda, desenvolver feridas de difícil cicatrização (as úlceras) e que geralmente são desencadeadas pelo uso de calçados inadequados ou simplesmente andando descalço pela casa.


A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia estima que que uma em cada quatro pessoas com diabetes pode ter problemas nos pés ao longo da vida. Veja outras estimativas dos especialistas:

  • Aproximadamente 40 a 60% de todas as amputações não traumáticas dos membros inferiores são realizadas em pacientes com diabetes;

  • 85% das amputações dos membros inferiores relacionadas ao diabetes são precedidas de uma úlcera no pé;

  • Quatro entre cinco úlceras em indivíduos com diabetes são precipitadas por trauma externo;

  • A prevalência de uma úlcera nos pés é de 4 a 10% da população que sofre com a doença.

Por aí, já é possível perceber que o pé diabético é uma condição séria e que pode levar a consequências bastante drásticas. A boa notícia é que o problema tem tratamento e, melhor ainda, pode ser prevenido. Vamos ver a seguir.



Pé diabético e problemas circulatórios: entenda a relação

De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, algumas pesquisas indicam que duas em cada três pessoas que sofrem com diabetes de longa data e com deformidades ou feridas nos pés têm algum grau de má circulação arterial nas pernas. Isso significa que o sangue rico em oxigênio e nutrientes alcança os pés em quantidade menor que o normal.


Na ausência de feridas ou infecção, muitas vezes, a má circulação pode ser tolerada, mas quando existem lesões de qualquer tipo nos pés e, principalmente, quando elas estão associadas a uma infecção, a situação começa a se complicar.


As demandas metabólicas necessárias para a cicatrização e combate a essa infecção podem subir exponencialmente e aquela circulação que antes era apenas diminuída passa a ser insuficiente, fazendo com que o quadro de pé diabético evolua de forma desfavorável, eventualmente com gangrena e amputação nos casos extremos.


Quando o pé diabético é descoberto e tratado no início, a amputação não precisa ser o único procedimento que se realiza na tentativa de se reestabelecer ou melhorar a circulação de sangue naquela extremidade. E é aí que o angiologista ou cirurgião vascular entra em cena.

Veja a seguir como o tratamento é realizado.



Como é o tratamento

Normalmente o tratamento do pé diabético começa com exames de imagem que forneçam detalhes anatômicos do leito arterial do membro afetado. Esses procedimentos podem ser desde um simples ultrassom com Doppler, angiotomografia e angiorressonancia até exames mais invasivos como a angiografia por cateter (cateterismo).


Quando existem condições anatômicas, é possível realizar o tratamento das lesões arteriais que estão causando a má circulação. Esse procedimento endovascular é chamado de dilatação arterial ou angioplastia, que pode ser complementada ou não pelo implante de uma estrutura metálica no interior da artéria, o chamado stent.


Dependendo das características das artérias, o procedimento endovascular pode não ser possível. Então, a opção é realizar uma ponte ou derivação cirúrgica que possa levar o sangue de uma região de boa circulação para a região que está recebendo sangue insuficiente. Essa ponte pode ser feita com veias da própria pessoa (como a veia safena) ou com enxertos de material sintético.


Quando corretamente indicados e realizados, procedimentos assim ajudam muito a diminuir as taxas de amputação por pé diabético. Por isso, se você sofre com diabetes, vale avaliar regularmente a sensibilidade e a pulsação dos pés. Havendo a suspeita de um problema de circulação, consulte um cirurgião vascular o mais rápido possível.


Como prevenir é sempre melhor do que remediar, veja a seguir as orientações de como evitar o pé diabético com cuidados de rotina.



É possível prevenir o pé diabético

A medida mais importante de prevenção não só do pé diabético, mas de todas as possíveis complicações do diabetes, é manter as taxas de açúcar no sangue sempre controladas. Para isso, é fundamental seguir as orientações do médico endocrinologista para cada caso.


Pensando precisamente no pé diabético, vale seguir as seguintes medidas:

  • Cuidar da pele dos pés, lavando com sabonetes suaves, enxugando cuidadosamente entre os dedos com toalhas macias e aplicando hidratante após os banhos;

  • Aparar as unhas dos pés em formato reto, sem retirar as cutículas;

  • Consultar um podólogo mensalmente para o tratamento adequado de calos ou rachaduras;

  • Fazer a inspeção diária dos pés e dos dedos, incluindo a planta do pé e a região entre os dedos à procura de ferimentos e lesões;

  • Priorizar o uso de sapatos que sejam fechados, largos, macios e sem costuras internas ou qualquer ponto que possa gerar atrito entre a pele e o próprio sapato;

  • Evitar andar descalço ou com sandálias que possam causar algum ferimento.

Lembrando que o portador de pé diabético sofre com insensibilidade no local, por isso, muitas vezes, as lesões passam desapercebidas. Portanto, vale redobrar a atenção e os cuidados.


Agende uma consulta de avaliação, caso você se identifique com os sintomas de pé diabético. Quanto antes for iniciado o tratamento, menor o risco de complicações.

Para saber mais sobre saúde vascular, navegue pelo meu blog.

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