Malformação arteriovenosa oferece perigoso risco de hemorragia cerebral

A malformação arteriovenosa (MAV) é uma anomalia do sistema vascular que acontece no cérebro ou na medula durante o desenvolvimento do feto. Isso significa que o problema é congênito, presente desde o nascimento. No entanto, o pico de apresentação da MAV é dos 20 aos 40 anos, quando os sintomas começam a se intensificar, trazendo risco de hemorragia cerebral.



O que acontece na MAV

Para entendermos direitinho a malformação arteriovenosa, quero explicar um pouco sobre como as estruturas do sistema vascular funcionam.

  • Artéria: é um vaso sanguíneo que tem a parede muscular forte, tolerando a forte pressão de levar sangue oxigenado do coração para todos os outros órgãos;

  • Veia: vaso sanguíneo mais fino, que não tolera uma forte pressão e leva o sangue sem oxigênio de volta para o coração;

  • Capilares: pequenos vasos sanguíneos que ficam dentro dos tecidos, comunicando artérias e veias e controlando a pressão sanguínea na passagem de uma para outra.

Em um sistema vascular normal, o sangue vai da artéria, passa para pequenas artérias ramificadas, depois para os capilares, para as veias pequenas e a veia maior. Em caso de MAV, ocorre uma comunicação direta entre artéria e veia, ou seja, não existe uma rede de capilares que possa amenizar a pressão do sangue. Com o tempo, esse movimento intenso do sangue rompe a veia, causando risco de hemorragia cerebral.



Como identificar uma MAV

Em geral, a malformação arteriovenosa é silenciosa. Não é sempre que acontece esse rompimento da veia, então, a MAV pode não sangrar e, portanto, não se manifestar.


Quando isso acontece, os sintomas iniciais são dores de cabeça, crises convulsivas ou perda de força em um dos lados do corpo. Tudo isso pode mudar dependendo do local do cérebro onde a MAV se localiza. Há casos que vão desde perda de visão e incapacidade de locomoção até sintomas de depressão, por exemplo.


Como as chamadas veias de drenagem também sofrem com a MAV, pode surgir inchaço e também varizes que sangram em outros locais do corpo, como nas costas ou nas pernas.


Para fazer o diagnóstico, é preciso ter suspeita de que um sangramento aconteceu. Então, são feitos exames específicos para atestar o problema. A angiografia é o procedimento mais importante e pode dar a dimensão desse sangramento e do risco de hemorragia cerebral.



A MAV tem tratamento

O objetivo do tratamento é prevenir o sangramento. Afinal, uma hemorragia cerebral pode trazer consequências bastante graves, inclusive risco de morte. Critérios como presença de sangramento, tamanho e localização da MAV são levados em conta na hora de especificar o tratamento. Então, é algo bastante individualizado. Mas vale saber que entre as opções de tratamento estão o uso de medicamentos para aliviar os sintomas relatados (dor de cabeça, dor nas costas, convulsões) e a cirurgia. Vou falar com mais detalhes sobre isso na minha página no Linkedin.


Como a MAV é um problema congênito, não há como ser prevenido. No entanto, existem algumas medidas que podem ajudar a reduzir as chances de sangramento e, consequentemente, o risco de hemorragia cerebral. Se você recebeu o diagnóstico do problema, aprenda maneiras de evitar a pressão alta:

  • Evite levantar objetos pesados;

  • Deixe de fumar;

  • Mantenha um peso corporal saudável;

  • Limite o consumo de álcool;

  • Siga uma dieta saudável com baixo teor de sódio;

  • Evite diluentes do sangue (medicamentos como a varfarina).

E, claro, continue a consultar o seu médico angiologista para verificar regularmente a condição da sua malformação arteriovenosa.


Agende uma consulta de avaliação. Para saber mais sobre saúde vascular, navegue pelo meu blog.

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