Síndrome da Veia Cava Superior é grave, mas pode ser tratada com procedimentos endovasculares

A veia cava superior é a segunda maior veia do organismo e tem função de transportar sangue venoso a partir da metade superior do corpo para o átrio direito, que é uma das quatro câmaras do coração.


A Síndrome da Veia Cava Superior (SVCS) surge quando há diminuição ou obstrução desse fluxo através da veia cava superior, prejudicando a oferta de sangue para a região da cabeça, pescoço e extremidades superiores.


Isso pode acontecer por trombose ou compressão vinda de fora da veia e ser um condição crônica, quando os sintomas demoram para aparecer, ou aguda, quando tudo acontece de repente (menos comum).



O que causa a Síndrome da Veia Cava Superior

Quando se estuda a Síndrome da Veia Cava Superior, pode-se perceber que a veia cava superior é vulnerável à obstrução por conta de uma série de fatores.

Alguns deles são:

  • Localização estratégica no tórax, cercada por estruturas rígidas como o esterno, a traqueia, o brônquio fonte direito, a aorta e a artéria pulmonar direita;

  • Parede fina, que pode, facilmente, sofrer compressão;

  • Transporte de sangue em baixas pressões;

  • Presença de muitos linfonodos ao seu redor.

A obstrução da veia cava pode ser causada por compressão extrínseca do vaso, invasão tumoral, trombose ou por dificuldade do retorno venoso ao coração secundária de problemas que afetam o próprio coração.


Entre 73% e 97% dos casos de Síndrome da Veia Cava Superior ocorrem durante a evolução de processos malignos intratorácicos por extensão ou compressão da veia cava superior pelo próprio tumor.

O câncer que mais frequentemente causa o problema é o de pulmão. Linfoma não-Hodgkin, tumor germinativo de mediastino e timoma (tumor no timo, que é uma glândula que fica no tórax) também podem causar SVCS.


Outras possíveis causas da Síndrome da Veia Cava Superior que não estão ligadas a câncer são: mediastinite fibrosante (distúrbio raro que se caracteriza pela presença de tecido fibrótico na região do pulmão) ou trombose relacionada à presença de dispositivos vasculares implantáveis (como um cateter, por exemplo).


A obstrução da veia cava superior leva a alterações importantes nos trajetos naturais de drenagem venosa. Nessa condição, um grande número de vasos colaterais é recrutado como forma de compensação. Isso faz com que esses vasos recebam alto fluxo sanguíneo e sofram uma maior pressão, o que os torna mais calibrosos e, algumas vezes, deixa a circulação colateral visível na região do tórax e pescoço.


Esse é um dos sinais de que o problema está instalado. Vamos ver, a seguir, outros sintomas da Síndrome da Veia Cava Superior.



Principais sintomas de SVCS

A forma mais comum de Síndrome da Veia Cava Superior é a crônica, ou seja, os seus sintomas, normalmente, desenvolvem-se lentamente porque outras veias podem ajudar a circular o sangue, com isso, os sintomas podem se tornar menos intensos e incluem:

  • Dificuldade para respirar (especialmente na posição deitado) ou falta de ar;

  • Tosse;

  • Inchaço da face, pescoço, tronco e braços;

  • Dor no peito.

Conforme há o aumento da pressão venosa intracraniana, observa-se o aparecimento de dor de cabeça, vertigem, confusão mental e até perda da consciência. Em casos graves, a pele pode ficar escura (azulada) devido à cianose (falta de oxigenação das células).


Ainda que o mais comum seja uma manifestação lenta desses sintomas, vale dizer que a SVCS pode evoluir rapidamente, bloqueando completamente a traqueia. Essa condição, ainda que menos frequente, necessita de ações imediatas, ou seja, atendimento médico de emergência, porque pode levar à morte.

A seguir, vamos saber mais sobre como é feito o diagnóstico da Síndrome da Veia Cava Superior e quais são as opções de tratamento.


Como é feito o diagnóstico e o tratamento

O exame físico é usualmente característico para o diagnóstico da SVCS, especialmente quando se trata de pacientes que já têm diagnóstico prévio dos tipos de câncer que podem levar ao problema. Mas só isso não é suficiente.


Os exames complementares para o diagnóstico incluem tomografia computadorizada de tórax com contraste para determinar a causa da síndrome e sempre afastar a presença de trombose, pois é causa potencialmente reversível.


Os sinais da Síndrome da Veia Cava Superior também podem ser vistos em uma radiografia de tórax ou ressonância magnética. De acordo com os achados de exames desse tipo, pode ser necessário realizar outros procedimentos específicos.


Mas vale dizer que todo esse processo diagnóstico detalhado só é possível quando os sintomas da síndrome são leves, há um bom fluxo sanguíneo pelas veias colaterais do tórax e a traqueia não está bloqueada. Caso contrário, é preciso tratar o problema com procedimentos de emergência.


Falando sobre o tratamento, na maioria dos casos, a síndrome é manejada com o tratamento do próprio câncer. Outras condutas, a curto prazo, pensadas em reduzir os sintomas, incluem a elevação da cabeça do paciente, administração de corticosteroides para reduzir o inchaço ou utilização de diuréticos para eliminar o excesso de líquido do corpo.


O tratamento endovascular pode proporcionar um alívio rápido dos sintomas, restaurando o retorno venoso, independentemente da causa do problema, e é considerada frequentemente como opção de primeira linha. Assim, a Síndrome da Veia Cava Superior pode ser tratada com dissolução do coágulo, colocação de stent ou cirurgia.


Por fim, quero alertar que, como a SVCS pode causar problemas respiratórios graves, pode ser considerada uma emergência em alguns casos, mas isso é bastante incomum. Embora seja grave, pode ser tratada com sucesso na maioria dos pacientes. Converse com um angiologista ou cirurgião vascular para orientações específicas.


Para saber mais sobre saúde vascular, navegue pelo meu blog.

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